Quem nunca consultou o resultado de um exame antes de levá-lo para a avaliação do médico? Esta curiosidade é comum, porém é preciso ter cuidado para uma interpretação incorreta não resulte em frustração e preocupação desnecessária.

Ao consultar o resultado do exame, logo vem o susto: estar com os índices abaixo ou acima do considerado “normal” só pode ser algo alarmante. Mas, antes de tentar interpretar o que aparece na análise laboratorial, é importante saber o que significam os termos mais comuns que aparecem no documento e que alguns procedimentos podem alterar os resultados.

“Cerca de 95% da população sem nenhuma doença têm taxas dentro de um determinado intervalo, que é o chamado valor de referência. Por volta de 5% podem apresentar valores para mais ou para menos, sem necessariamente estar doente”, afirma Nairo Sumitaassessor médico na área de bioquímica clínica do Fleury Medicina e Saúde. Exemplo disso é o exame de glicose, que mede a quantidade de açúcar no sangue. O valor de referência é de 75 a 99 mg/dl – mas quem está fora desse intervalo não é necessariamente diabético ou hipoglicêmico.

“Tudo depende do preparo do paciente antes do exame. Se a recomendação de jejum não for respeitada ou se houver mudanças significativas no hábito alimentar, pode haver alteração das taxas”, explica o médico. Na dosagem de colesterol e triglicérides, por exemplo, a prática de exercícios físicos extenuantes, a ingestão de bebida alcoólica ou mesmo uma alteração na qualidade da alimentação podem alterar o perfil lipídico.

Além disso, há exames cujos resultados são diferentes de acordo com idade e sexo do paciente. Tudo isso deve ser avaliado por um médico, que saberá interpretar os demais dados do exame e não apenas aquela informação isolada. Por isso, cuidado com o Dr. Google. “Há informações confiáveis na internet, mas outras, sem embasamento científico, podem assustar um leigo”, completa Nairo Sumita.