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Tire os vilões da sua alimentação

21/02/2011

Você já reparou como o colesterol hoje é perseguido? Do cardiologista ao endocrinologista, do pediatra ao geriatra, parece que todos os médicos, em todas as especialidades, precisam saber como andam os níveis dessa temida substância gordurosa em nosso organismo. Não é para menos. O colesterol está concretamente associado a doenças cardiovasculares
porque, quando em excesso, uma parte dele se deposita nas paredes das artérias, formando placas que um dia, pela presença de um processo inflamatório, podem se romper e levar à obstrução da passagem do sangue, provocando, por exemplo, um infarto do miocárdio, mal que acomete nada menos que 300 mil brasileiros por ano e é uma das principais causas da parada cardíaca.

Então, pode-se supor que, sem colesterol, daria para fazer as pazes com a saúde, especialmente do coração? Nada disso. Em primeiro lugar porque o colesterol tem participação em vários processos orgânicos vitais. “Ele é um componente fundamental das membranas das células e é um substrato para a produção da vitamina D e dos hormônios esteróides, como os hormônios sexuais”, sublinha o médico especialista em Bioquímica Clínica e em Marcadores Cardíacos do Fleury, Rogério Rabelo. Por isso, o organismo possui vários mecanismos para produzi-lo, a partir de unidades básicas provenientes da quebra tanto das gorduras ingeridas quanto das proteínas e dos carboidratos, presentes nas massas e doces, e que podem ser desviadas para sua formação.

Em segundo lugar, tudo depende do caminho que o colesterol trilha depois de ser ingerido ou fabricado pelo fígado. O dr. Rabelo explica que, para que ele possa circular no organismo, é empacotado por proteínas, chamadas lipoproteínas, que o carregam de um lado para outro. As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) conduzem principalmente o colesterol produzido no fígado para a corrente sangüínea e podem se depositar na parede das artérias. Ao se oxidar e depositar nas paredes das artérias, formam-se as famosas placas inflamadas, predispondo o indivíduo aos temidos problemas cardiovasculares. Não por acaso, as LDL são chamadas de mau colesterol.

Mas temos também as lipoproteínas de alta densidade (HDL), que fazem o caminho inverso ao das LDL. Elas retiram o colesterol da corrente sangüínea, levando-o de volta para o fígado, o qual se encarrega de seu metabolismo, eliminando-o na bile ou reciclando-o para outros processos internos. As HDL, portanto, representam o bom colesterol, a ponto de sua elevação no sangue estar associada a um menor risco de infarto do miocárdio. Por conta dessa divisão, observa o dr. Rabelo, é que existe a necessidade de conhecer, além da dosagem do colesterol total, o valor dessas frações. “Às vezes, o colesterol total pode estar elevado à custa do HDL-colesterol, o que diminui o risco de doença cardiovascular”, diz.

Cada gordura, um efeito

Existem pessoas que produzem mais colesterol porque herdaram essa característica, mas, de maneira geral, o volume e a qualidade do carregamento das lipoproteínas dependem muito da alimentação. “Quase todos os lipídios que ingerimos acabam se acumulando como reserva no tecido adiposo e são desviados para a produção de colesterol que, quando em excesso, pode sofrer oxidação”, assinala a coordenadora do Serviço de Nutrição do Check-Up Fleury, a nutricionista Claudia Juzwiak. De acordo com a estrutura química das gorduras ingeridas, o efeito sobre a fabricação das lipoproteínas será diferente.

Estudos indicam que o consumo de gordura saturada, encontrada predominantemente nos alimentos animais, leva ao aumento do mau colesterol. “A ingestão desse tipo de gordura é mais importante que a do próprio colesterol na elevação de LDL”, acentua Claudia. Da mesma forma, o excesso de gorduras poliinsaturadas, presentes sobretudo nos óleos vegetais, pode ser prejudicial à saúde. “Embora não afetem negativamente a produção de lipoproteínas, elas podem se oxidar com mais facilidade e, assim, danificar a parede das artérias”, prossegue a nutricionista.

Sinal verde mesmo só recebem as gorduras monoinsaturadas do azeite de oliva, das castanhas e do abacate, por terem menor risco de oxidação, assim como o ômega 3, contido na linhaça e em peixes de água profunda, por inibir a formação de placas nas artérias. De qualquer modo, muitos outros alimentos que compõem uma alimentação equilibrada contribuem
para a redução da oxidação das gorduras, observa Claudia. É o caso das vitaminas C e E, do licopeno, o pigmento vermelho do tomate, da melancia e da goiaba vermelha, e das antocianinas, o pigmento arroxeado da beterraba e do rabanete.

Prato legal

A gordura presente no corpo vem da alimentação e também de uma predisposição genética, para a qual contribui a forma com que uma pessoa é alimentada desde a vida intra-uterina. Se a ingestão excessiva de calorias for muito freqüente nos dois primeiros anos de vida, isso funcionará como um estímulo para a formação de células de gordura, que se comportam com o mesmo apetite dos obesos. “Elas vão se ‘enchendo’ até não poder mais e, então, multiplicam-se”, diz a nutricionista Claudia Juzwiak, doutoranda na Unifesp. Aí, quanto mais células desse naipe, mais o organismo precisará de gordura. Assim, a parcimônia no consumo de alimentos que contêm colesterol, gordura saturada e gordura trans é recomendada desde cedo.

A gordura presente no corpo vem da alimentação e também de uma predisposição genética, para a qual contribui a forma com que uma pessoa é alimentada desde a vida intra-uterina. Se a ingestão excessiva de calorias for muito freqüente nos dois primeiros anos de vida, isso funcionará como um estímulo para a formação de células de gordura, que se comportam com o mesmo apetite dos obesos. “Elas vão se ‘enchendo’ até não poder mais e, então, multiplicam-se”, diz a nutricionista Claudia Juzwiak, doutoranda na Unifesp. Aí, quanto mais células desse naipe, mais o organismo precisará de gordura. Assim, a parcimônia no consumo de alimentos que contêm colesterol, gordura saturada e gordura trans é recomendada desde cedo. Uma boa alternativa é o suco de uva, que igualmente contém substâncias antioxidantes.

Melhor ainda são as fibras, que passam pelo organismo e modulam não apenas a absorção de lipídios, como também a de glicose. “Elas impedem que haja um pico de absorção e, dependendo de seu tipo, ainda colaboram para a excreção do colesterol”, explica a nutricionista, lembrando ainda do comprovado benefício das fibras na prevenção do câncer de cólon de intestino. Para tanto, segundo as novas recomendações do Instituto de Medicina, o homem deve ingerir diariamente 38 gramas de fibras e a mulher, 25 gramas.

Convém avisar que isso não significa passar o dia comendo salada. “Além das hortaliças, outros alimentos contribuem com fibras, como aveia, nozes, frutas e grãos integrais”, enumera Claudia. A dieta do Mediterrâneo, à base de frutas, vegetais, grãos integrais, nozes, iogurte e queijo branco, regada com azeite de oliva e acompanhada de uma taça de vinho, é um bom exemplo desse tipo de alimentação e uma expressão do sabor saudável, quase sem culpa. Não custa lembrar que a ausência de gordura nociva nem sempre é sinônimo imediato de redução calórica, vital para quem quer emagrecer.

Rentabilidade futura

Baixar o mau colesterol ajuda a promover o equilíbrio do corpo, mas não é garantia imediata de aumento do bom colesterol. “Somente a prática de exercícios físicos regulares, da maneira correta, está associada à elevação de HDL”, é categórico o doutor em Medicina do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o médico Daniel Gentil, do Check-Up Fitness Fleury. E não é uma corridinha no parque ou o futebol do fim de semana que adiantam, tampouco o fato de ter praticado esporte no passado. “É como em investimento: a rentabilidade passada não garante a rentabilidade futura, ou seja, exercícios realizados no passado não garantem um colesterol bom no futuro”, compara o dr. Gentil.

Segundo ele, os resultados aparecem com a prática de atividade física de três a quatro vezes por semana, em sessões de 30 a 40 minutos. É bom lembrar, no entanto, que os exercícios que mais trazem benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares são os aeróbios, como bicicleta, caminhada, corrida e natação. Trabalhar apenas os músculos não é o ideal. O melhor é realizar uma combinação de parte aeróbia, resistência muscular e exercícios de flexibilidade. Antes de tudo, porém, um cuidado indispensável: avaliação médica para conhecer o estado de saúde.

Dá para ver, por aí, que a perda de gordura pede uma associação de dieta saudável, com redução de lipídios, e atividade física regular. De acordo com o dr. Rabelo, mesmo nos casos de tendência genética a ocorrer uma produção maior de colesterol, os medicamentos utilizados no tratamento apresentam um efeito muito melhor quando as estratégias são combinadas. “Está tudo interligado: quando a pessoa adota uma dieta saudável, deixa de ser sedentária e perde peso, o organismo responde favoravelmente, ou seja, o HDL-colesterol sobe e o LDL cai, assim como o nível de triglicérides e a resistência à insulina, que causa o diabetes, outro fator de risco para o infarto”, enumera. Isto é, tudo depende de mudança de estilo de vida.

Escolha o cardápio com o coração

Consuma sem medo:
• Frutas
• Legumes e verduras
• Grãos integrais
• Peixes de água profunda (salmão, atum, arenque e sardinha)
• Azeite de oliva
• Abacate
• Castanhas
• Vinho
• Suco de uva
• Chá verde

Evite:
• Carne vermelha gorda
• Gema de ovo
• Leite e derivados integrais
• Margarinas
• Gordura vegetal hidrogenada
• Frituras
• Creme de leite
• Bolacha recheada
• Embutidos
• Nuggets e salgadinhos congelados

Use com moderação:
• Óleos de girassol, milho e canola
• Leite e derivados desnatados
• Carnes brancas
• Chocolate amargo ou sem gordura hidrogenada

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